Otello

Otello

“Otello”, ópera em quatro actos de Giuseppe Verdi com libreto de Arrigo Boito, baseada na obra homónima de Shakespeare, foi a penúltima ópera do Compositor. Estreada no Teatro alla Scala de Milão, a 5 de Fevereiro de 1887, foi composta alguns anos depois de “Aida” (estreada em 1871), que o compositor decidira ser a sua última obra. 

Só que, à vista da imensa popularidade que a obra de Verdi obtivera em Itália nos anos setenta, Giulio Ricordi, seu editor, via naquele retiro um desperdício. Conhecedor da importância que tinha para o Compositor o aspecto dramatúrgico das óperas, Ricordi tinha esperança de que, se encontrasse um libreto que o espicaçasse o faria voltar. O que veio a acontecer: sabedor da grande admiração de Verdi pela obra de Shakespeare, insinuou ao Compositor, em conluio com o maestro Franco Faccio, amigo comum, a ideia duma nova ópera, baseada em “Othello”, sugerindo, ao mesmo tempo, para libretista, Arrigo Boito, também grande apreciador de Shakespeare. Vencida alguma resistência inicial, e depois de Boito ter aprontado o libreto, Verdi lançou finalmente mãos à obra, a que inicialmente chamava “Yago”, para evitar a coincidência de título com a famosa ópera de Rossini.

Algum tempo depois, numa carta para o libretista, Verdi confessa que vai optar pelo título shakesperiano, por preferir que se diga “tentou igualar-se ao gigante [Rossini] e não o conseguiu, do que se murmure: escondeu-se atrás do nome de Yago”.

Os críticos consideram tratar-se duma das obras-primas do Compositor, juntamente com “Aida” e “Falstaff” (1893). Em ‘Otelo’, Verdi abandonou a divisão estrutural em árias e recitativos, de modo a dar uma linha de continuidade e a reforçar o sentido de unidade da obra, o que conseguiu plenamente. Os três papéis principais, Desdémona, Yago e Otelo, estão entre os mais exigentes de toda a obra de Verdi, tanto vocal como dramaticamente.


EQUIPA ARTISTICA
Encenação: Giulio Ciabatti
Responsável pela reposição: Oscar Cecchi
Cenografia: Pier Paolo Bisleri
Guarda-roupa: Chiara Barrichello
Iluminação: Iuraj Saleri

ATELIERES
Vestuário: FARANI SARTORIA TEATRALE di Piccolo Luigino
Adereços: E. RANCATI S.r.l.
Sapatos: POMPEI 2000 s.r.l.
Perucas: ROBERTO PAGLIALUNGA & C. S.n.c.
Joalharia: JEWEL HOUSE
Efeitos especiais: Guerini Flavio & C. S.a.s.

ELENCO:
Otelo: tenor
Desdémona: soprano
Emília: mezzo-soprano
Cássio: tenor
Roderigo: tenor
Yago: barítono
Montano: baixo
Lodovico: baixo

SINOPSE
A acção decorre na Ilha de Chipre, nos finais do século XV.

PRIMEIRO ACTO
Exterior do Castelo onde reside Otelo, sobranceiro a um porto

Numa noite de tempestade, o povo de Chipre espera, ansioso, a chegada do novo governador, Otelo, que regressa de uma batalha com os turcos. Otelo chega são e salvo e anuncia que a frota turca foi destruída. Todos festejam, menos o seu lugar-tenente, Yago, que quer vingar-se de Otelo, pois um dos seus rivais, Cássio, ascendeu a capitão, cargo que Yago pensava estar-lhe destinado.

Yago principia a urdir a trama que acabará com Otelo. Começa por acicatar os desejos secretos dum jovem veneziano, Roderigo, pela mulher de Otelo, Desdémona, dizendo-lhe que o capitão Cássio está perdido de amores por ela.

Posteriormente, numa taberna, leva Cássio a beber até à embriaguez. Entra Montano, que fica surpreendido por ver Cássio bêbado; Yago diz-lhe que Cássio passa as noites sempre assim. Pouco depois Yago provoca um confronto entre Cássio, ébrio, e Roderigo. Montano intervém e é ferido por Cássio. Yago dá o alerta, agigantando o episódio até provocar um tumulto.

Atraído pelos gritos, Otelo entra furioso, e, enganado por Yago e tendo deparado com Montano ferido, desonra Cássio, dizendo-lhe que já não é capitão. Desdémona junta-se ao marido, e Otelo impõe a calma. Quando ficam sós, Otelo e Desdémona recordam o seu enamoramento, beijam-se e regressam ao Castelo.

SEGUNDO ACTO
Sala do rés-do-chão do Castelo, com uma porta que abre para o jardim

Yago diz a Cássio que peça a Desdémona para interceder por ele junto de Otelo, a fim de recuperar a sua honra. Sozinho, Yago discorre sobre as suas crenças niilistas, descrevendo o seu criador, um cruel demónio que lhe propõe ideias malignas (“Credo”). Quando entra Otelo, Yago faz algumas insinuações sobre a fidelidade de Desdémona, enquanto a vêem no jardim com Emília, mulher de Yago. Mulheres, crianças e marinheiros levam flores a Desdémona, cuja beleza faz diminuir as suspeitas de Otelo. No entanto, quando mais tarde Desdémona intercede por Cássio, pedindo a Otelo que lhe devolva o cargo, o general fica completamente enraivecido. Desdémona tenta tranquilizá-lo, colocando-lhe sobre a fronte um lenço que Otelo lhe tinha oferecido, mas este atira-o para o chão num gesto furioso. Desdémona declara-lhe a sua total devoção, enquanto Yago, furtivamente, arrebata à força o lenço a Emília, que o tinha apanhado do chão. Quando fica só com Yago, Otelo acusa-o de destruir a sua paz mental. Otelo, ciumento, quer provas da traição de Desdémona. Yago insinua ter ouvido umas frases comprometedoras proferidas por Cássio enquanto dormia, e afirma ter visto nas mãos deste um lenço que Otelo ofereceu a Desdémona. Para Otelo, esta prova é irrefutável, e, ajudado por Yago, jura vingança.

TERCEIRO ACTO
Salão do Castelo

Yago explica a Otello que atrairá Cássio àquele lugar e que falará com ele de modo a que Otelo, escondido, ouça. Yago sai à procura de Cássio. Entra Desdémona e Otelo insinua as suas suspeitas, mas Desdémona não entente e recorda-lhe o seu pedido sobre Cássio. Como resposta, Otelo pede-lhe que lhe mostre o lenço que lhe deu como talismã; como Desdémona não o tem, chama-lhe cortesã. Triste, Desdémona jura a sua inocência, mas o marido expulsa-a da sala. Ao ouvir Yago e Cássio a aproximarem-se, o general esconde-se. Yago, ondeando o lenço, manipula os gracejos de Cássio sobre a sua verdadeira amante, Blanca, fazendo com que Otelo, que só consegue ouvir parte da conversa, acredite que falam de Desdémona. Soam trompetes anunciando a chegada dos dignatários de Veneza, e Cássio retira-se. Otelo jura matar Desdémona, enquanto Yago se ocupará de Cássio.

No salão, a corte entra para dar as boas-vindas a Ludovico, embaixador do Doge. Ludovico nota a ausência de Cássio, e Yago informa-o de que Cássio perdeu o favor de Otelo, mas Desdémona diz que em breve o recuperará. Enraivecido, Otelo chama-lhe demónio. Otelo manda chamar Cássio e anuncia-lhe que foi chamado de volta a Veneza e que Cássio o sucederá como governador de Chipre. Cássio diz-lhe que obedecerá. Desdémona aproxima-se de Otelo, mas este, perdendo o controlo, atira-a ao chão. Desdémona roga-lhe que a perdoe do suposto crime. Yago continua a urdir a sua teia, dizendo a Otelo que aquela é a noite da vingança, e manda Roderigo assassinar Cássio. Otelo maldiz Desdémona e ordena a todos, apavorados, que se retirem. Delirante, Otelo cai inconsciente. Yago, com um gesto de triunfo, saúda-o ironicamente como o “Leão de Veneza”, repetindo de forma burlesca, os gritos que se ouvem do exterior, enaltecendo o general.

QUARTO ACTO
Quarto de Desdémona

Desdémona, ajudada por Emília, prepara-se para se deitar, enquanto canta uma canção sobre uma criada, Bárbara, que foi abandonada pelo seu amante. Emília retira-se e Desdémona reza (Ave Maria) e adormece. Otelo entra no quarto, desperta Desdémona, pergunta-lhe se rezou como habitualmente, e diz-lhe que se prepare para morrer, acusando-a de pecar, por amar Cássio. Desdémona nega-o e pede que tenha piedade dela, mas Otelo responde que é demasiado tarde e estrangula-a. Regressa Emília com a notícia de que Roderigo morreu ao tentar matar Cássio. Desdémona murmura que foi acusada injustamente e morre. Emília chama assassino a Otelo e grita-lhe que matou uma inocente. Otelo responde que Yago lhe deu provas da infidelidade de Desdémona e começa a ameaçar Emília, que grita por ajuda. Acorrem Yago, Cássio e Loduvico. Emília exige de Yago que negue a acusação que fez, mas este recusa. Emília, horrorizada, repudia as suas intrigas e Yago foge do quarto. Otelo, ao aperceber-se do seu engano, lamenta a morte de Desdémona e apunhala-se. Antes de morrer arrasta-se para junto de Desdémona, beija-a e morre.

REQUISITOS TÉCNICOS
• A caixa cénica deve estar livre de qualquer elemento dependurado ou no cenário
•  Disponibilidade das varas do teatro
•  O cenário requer prender e pendurar

La Voz de Galicia

“A inauguração do Festival Amigos de la Ópera com o Otelo deixa a fasquia muito alta para o que resta…”

Antón de Santiago, La Voz de Galicia,  4 de Setembro de 2010

La Voz de Galicia

“…um estilo cenográfico que se podia definir com adjectivos como minimalista e neoclássico serviu de suporte a um rol de artistas entre os quais se encontravam elementos formados na cidade…”
(…)
“Todo esta demonstração artística e técnica tinha como aliciante o facto de a produção poder ser considerada uma estreia, já que o próprio encenador, Oscar Cecchi, tinha assinalado que em A Coruña se veriam elementos novos que não tinham sido utilizados nas apresentações de Trieste.”
(…)
“No Domingo poder-se-á apreciar de novo a tragédia de Otelo, se bem que as outras duas mil entradas disponibilizadas já estejam esgotadas.”
(…)
“Ontem, embora se tenha repetido a mesma história [Otelo], elementos como a cenografia e as portentosas vozes de Arteta e Berti permitiram que este clássico voltasse a soar como se fosse novo”.

Ángel Varela, La Voz de Galicia, 3 de Setembro de 2010

Xornal de Galicia

 “A cenografia pode definir-se como minimalista, ainda que o vestuário seja muito bem conseguido.”

Xornal de Galicia | Cultura, 5 de Settembro de 2010

El Ideal Gallego

“Acertando inteiramente com o gosto do público, a representação de Otelo de Verdi, prelúdio ao Festival de Ópera, foi um enorme sucesso. O Palacio de la Ópera, sem um único lugar livre e com a total atenção dos espectadores durante as três horas e meia de duração da obra, explodiu em aplausos retumbantes quando chegou ao fim…”

Fernández Alabalat, El Ideal Gallego, 6 de Setembro de 2010

El Ideal Gallego

 “Otelo foi um êxito que reuniu cerca de 700 pessoas que “aguentaram” com prazer o espectáculo, requintado, tanto no que se refere a cenografia como a interpretação.” (…) “Resumindo, no próximo domingo os amantes da ópera voltam a ter um compromisso obrigatório. Pena que alguns tenham ficado sem lugar; sucesso retumbante para produtores e artistas.”

M. Pérez, El Ideal Gallego, 3 de Setembro de 2010